quarta-feira, 25 de junho de 2008

Roteiros Turísticos - Destinos

VENEZA - A Sereníssima


Veneza é uma cidade única no mundo, não só pelas suas características de cidade construída na Laguna do mar Adriático, mas pela sua monumentalidade arquitetônica, artística e cultural.

Localizada no nordeste da Itália, é a capital da região do Vêneto, banhada pelo mar Adriático e especialmente construída nas inúmeras ilhas, que somam 118, entrecortadas por 170 canais e unidas por 400 pontes.

Seu povoamento vem desde o século VI d.C. Já no século XII a cidade se torna uma república, que mais tarde é invadida por Napoleão Bonaparte, ficando sob o domínio da França, que com o Tratado de Campofórmio é cedida ao império Austríaco, sob o reinado dos Habsburgo, para finalmente em 1886 passar a fazer parte da Itália.

Veneza foi uma cidade que reinou absoluta na Idade Média, tornando-se uma das maiores potências marítimas. Sua importância como entreposto comercial, elo de ligação entre o Ocidente e o Oriente permitiu seu desenvolvimento comercial e cultural.

A cidade vem resistindo ao tempo, guardando ainda todo seu esplendor do século XV, onde atingiu seu apogeu no comércio, nas artes e na conquista de terras. Porém não se sabe até quando ela resistirá devido as constantes invasões de turistas, das águas da laguna, do conhecido fenômeno da “Acqua Alta” e, principalmente, da ação do homem através de aterros na laguna para permitir o crescimento imobiliário.

Veneza é impar, singular, misteriosa, bela e romântica. Seus canais, ruelas, labirintos, pontes, palácios, gôndolas, vaporettos contam história de um tempo bem distante, mas que pode ser vivido por cada visitante, desde que faça uma boa caminhada por suas ruelas e praças e desfrute de um relaxante e inesquecível passeio de gôndola.

Veneza é dos eternos namorados. Nesta cidade viveu o Giacomo Casanova, maior dos amantes de todos os tempos.

Veneza parece flutuar na água. É simplesmente mágico visitar esta cidade, patrimônio artístico de toda humanidade. Cidade dos Doges, dos Papas e dos Artistas, possui uma arquitetura de tirar o fôlego, de inegável valor artístico independente se medieval, bizantina, renascentista e barroca. Há em cada período um verdadeiro toque de mestre.

A cidade é um destino imperdível, vale qualquer esforço. O lugar é geograficamente estratégico, pois de um lado estão os Alpes com suas estações de esqui e do outro as praias mediterrâneas. É realmente um ponto de encontro, onde a beleza se faz presente e se tem a sensação de estar num lugar mágico. A cidade parece surgir e ao mesmo tempo flutuar na água.

Veneza hoje vive praticamente do turismo; os venezianos migraram em sua maioria para Veneza Mestre. Sua capacidade de carga está saturada. São quase 19 milhões de turistas por ano. Na alta estação e nas suas festas, a cidade fica pequena até para os pombos que ocupam e dividem os espaços da praça San Marcos. A cidade sonho da costa Adriática precisa de cuidados e de uma maior conscientização das autoridades e visitantes para preservar tão importante patrimônio.

Veneza é a cidade dos artistas e dos apaixonados, é um museu a céu aberto, rico em arte e história. Por ali passaram Tintoretto, Bellini, Canaleto, Ticiano, Rafael, Georgione, Veronese e outros nomes famosos. O próprio Marco Pólo, o famoso viajante. Casanova, o eterno sedutor, que conseguiu fugir a famosa prisão dos Doges, após passar pela ponte dos Suspiros. A cidade é abençoada, pois nada menos de seis Papas nasceram em Veneza: Alexandre VIII, Clemente XIII, Eugênio IV, Gregório XII, Paulo II e Pio X.

Visitar Veneza é uma experiência única que já começa na Estação Santa Lúcia. Siga a pé ou de barco (Vaporetto) até a Piazza San Marco. O trajeto pelas ruelas ou mesmo pelo Grande Canal é um presente por si só, mas a chegada ao coração da cidade, símbolo veneziano, é um momento inesquecível. Respire fundo e suspire, pois você está numa das praças mais bonitas do mundo.

Esta praça é única em Veneza e nela se encontram as maiores atrações, como a Basílica de San Marco, o Palazzo Ducale, a Ponte dos Suspiros, o Campanile de San Marco, a Torre dell’Orologio, o museu Correr entre outras atrações.

O Grande Canal tem 2 km de comprimento, 70 m de largura e 5 m de profundidade. É a via principal de Veneza com suas margens emolduradas de ricos palacetes, edifícios e monumentos, com predominância da cor ocre. Três pontes cruzam o Grande Canal, porém uma chama a atenção pela sua beleza arquitetônica, a Ponte Rialto. Recomendo um passeio por este canal de “Traghetto”, que é uma gôndola coletiva, de preferência ao entardecer, onde o sol oferece um espetáculo único, realçando os edifícios somados aos reflexos na água.

Uma atração à parte em Veneza é passear pelos seus canais, evidentemente em uma Gôndola, símbolo e marco da cidade. Tradição que vem de geração a geração, uma arte preservada pelos gondoleiros que atraem visitantes apaixonados pela beleza, charme e romantismo do passeio. Já andou de taxi-aquático? Não? Então vá ao cais da Piazza San Marco e pegue um para visitar a Ilha Murano, onde os artesões de vidros, de cristais coloridos dão forma, cor e brilho aos famosos cristais de Murano. Continue o passeio e conheça a Ilha Burano, famosa pelas suas rendas. Aproveite também para conhecer o Lido, ilha que estará sempre associada ao escritor Thomas Mann pelo seu célebre filme “Morte em Veneza”. Nesta ilha estão os hotéis de luxo, cassino, praias e gente bonita.

Os monumentos em Veneza são muitos, porém os que mais chamam a atenção são as Igrejas, como a Igreja de San Giorgio Maggiore e a Igreja de Santa Maria della Salute, os Palácios como o Palácio Ca’Rizzônico e o Palácio Vernier de Leoni e as Escolas como a Scuola de San Rocco e o Teatro La Fenice.

Os museus são excelentes e merecem uma visita, tais como: o Museu Guggenheim, a Galeria Internacional de Arte Moderna, a Galeria da Academia de Arte de Veneza e o Ca’ d’Oro.

O maior evento em Veneza é sem dúvida o seu famoso Carnaval seguido da Regata Histórica com uma procissão de barcos e competição entre gôndolas e tradicionais festivais de música, teatro e cinema.

A gastronomia é requintada, mas não saia de lá sem conhecer seus sorvetes e experimentar um petisco nos chamados “Fritolins”, botecos. O Harry’s Bar é sem dúvida o mais famoso ponto de encontro de artistas e intelectuais, onde se toma o tradicional Cocktail Bellini, um símbolo. Entre os seus clientes famosos está o escritor Ernest Hemingway.

Portanto, leitores e viajantes não deixem de visitar esta incomparável cidade chamada de: A Sereníssima.

Marcelo Oliveira.

Para saber mais acesse os sites:
http://www.venetia.it/
http://www.vamosparaitalia.com.br/veneza.html

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Roteiros Turísticos - Destinos

O Porto – A Cidade Invicta

A cidade do Porto está localizada ao Norte de Portugal. É, sem sombra de dúvida, a capital do Norte do País e uma das mais antigas cidades da Europa.

O Porto é a segunda maior cidade de Portugal, bastante industrializada e com um comércio forte e dinâmico. Possui uma incrível beleza natural aliada a sua bem preservada arquitetura com seus coloridos prédios azulejados.

Está intimamente ligada à formação da nação portuguesa. Antes do século XII era chamada de Portucale, que é a raiz do nome Portugal. São mais de 2000 anos de história e uma herança arquitetônica de estupenda qualidade, representada principalmente pelo seu centro histórico, que desde 1996, foi declarado pela UNESCO, Patrimônio Mundial da Humanidade.

Um dos aspectos mais importante do Porto é a riqueza e diversidade da arquitetura do seu Centro Histórico com valores culturais que remonta da época romana, passa pela gótica, renascentista, barroca, neoclássica e finalmente moderna.

A cidade do Porto está debruçada sobre o rio Douro, que deriva de rio de Ouro, junto ao oceano Atlântico e em suas colinas ergueram-se edifícios medievais, barrocos, oitocentistas cheios de muito história, revelando um patrimônio arquitetônico que se tornou o cartão postal da cidade.

É também conhecida pela inovação das suas pontes, pelos seus monumentos, museus, igrejas, caves, feiras, mercados, parques, além de suas festas e romarias. Motivos não faltam para conhecer esta encantadora cidade. Foi nomeada em 2001 a capital Européia da Cultura.

O Porto orgulha-se do seu povo que exacerba um profundo sentimento de civismo. A denominação tripeiros como são chamados os portuenses, se deve a sua generosa e patriótica participação nas conquistas dos ideais portugueses, cedendo toda a carne dos animais para abastecer os navios, ficando apenas com as vísceras desses animais.

Na cidade do Porto nasceu o Infante D. Henrique. Ele foi o príncipe navegador responsável maior pelas descobertas marítimas dos portugueses. Outro célebre portuense é Pêro Vaz de Caminha, autor da carta da descoberta do Brasil, em 1500. Entre tantos outros está o famoso poeta Garret e o escultor Soares dos Reis.

A cidade do Porto é também conhecida como a cidade do Clero, pois o Bispo era o soberano da cidade em épocas passadas. O Porto ostenta o título de a “cidade do trabalho”, pela sua luta e pelos ideais de progresso e tradição na defesa dos direitos do cidadão e das causas nacionais.

É um dos mais antigos destinos turísticos da Europa e seu cartão de visitas é o internacionalmente conhecido Vinho do Porto. Fundamental em sua economia, as caves hoje representam um importante atrativo turístico para a cidade. Do outro lado do rio, em frente à Ribeira, precisamente em Vila Nova de Gaia, estão concentrados os armazéns, onde são envelhecidos e armazenados os famosos vinhos fortificados, para delírio dos visitantes.

Visitar a cidade é ir de encontro a muitas surpresas, não só pela originalidade, charme e beleza do seu conjunto arquitetônico, mas pelo seu povo que é muito alegre e hospitaleiro. A cidade é ao mesmo tempo conservadora, contemporânea e criativa. Passear em suas ruelas tortuosas, nas pequenas praças, curtir sua gastronomia, sua vida cultural, seus espaços de lazer é sempre muito agradável.

Uma visita à Cidade do Porto deve incluir obrigatoriamente um cruzeiro pelo rio Douro atravessando suas principais pontes, que também são atrações à parte, principalmente a Ponte D. Luis I e D. Maria Pia, podendo o visitante estender o passeio pelo rio até as Quintas, onde são cultivadas as uvas, que dão origem ao vinho do Porto.

Outra forma de conhecer a cidade é passear de bonde, lá chamado de eléctrico, um jeito, diferente e agradável de manter contato com os portuenses e acima de tudo conhecer o cotidiano da cidade. Depois é pedir para descer na Ribeira, Patrimônio da Humanidade, um bairro singular e único para se visitar. O casario da Ribeira é colorido e típico e mantém os costumes de épocas passadas. É provavelmente o lugar mais visitado da cidade, repleto de restaurantes típicos, vista privilegiada para o rio, com seus barcos rabelos e as suas pontes.

A Cidade do Porto é uma autêntica e inesquecível destinação turística genuinamente portuguesa, riquíssima em patrimônio histórico e cultural. Dotada de aeroporto internacional, autopistas, ferrovias, excelente infra-estrutura de serviços, de hospitalidade, gastronomia e comércio, preços atrativos, sem falar em seus famosos vinhos, bacalhaus, tripas e muito mais.

O Porto é uma cidade granítica com um enquadramento paisagístico de rara beleza, formando uma combinação perfeita entre o ambiente natural e urbano. Opção de roteiro é o que não falta aos visitantes, desde o barroco, medieval até o neoclássico. Todos estão muito próximos e de fácil acesso.

As principais atrações são: a Catedral da Sé, a Igreja de Santo Ildefonso, a Torre e Igreja dos Clérigos, a Igreja de São Francisco, a Igreja do Carmo, a Câmara Municipal, o Palácio da Bolsa, Estação São Bento, a Capela das Almas, a Alfândega, a Casa da Música, o Museu Soares dos Reis, a Casa de Serralves, a Casa do Infante, a Ribeira, etc.

Quer conhecer bem essa tradicional cidade portuguesa? O segredo é simples: andar a pé. Caminhando pela cidade é possível encontrar antigas ruínas de fortificações e muralhas que salvaram o Porto da invasão Napoleônica e entender o porquê da Cidade do Porto ser conhecida como a Cidade Invicta, muito nobre e sempre leal.
Marcelo Oliveira

Para saber mais sobre a Cidade do Porto acesse o site: http://www.portoturismo.pt/

sábado, 29 de dezembro de 2007

ROTEIROS TURÍSTICOS - DESTINOS

Turismo cultural na Dinamarca (*)



O Reino da Dinamarca está situado no norte da Europa. Como os demais países escandinavos, tem um alto padrão de vida, é a pátria dos antigos vikings e possui a monarquia mais antiga da Europa. A Dinamarca apresenta relevo plano, baixo, e com litoral recortado por pântanos, florestas, ilhas, lagos, baías e fiordes.

É formada pela península da Jutlândia e mais de 400 ilhas. É uma mistura de influências continentais e escandinavas. O país faz parte da União Européia, mas juntamente com a Suécia e a Inglaterra não aderiu à moeda única, o euro.

A sua capital é Copenhague, fundada pelo bispo Absalon, em 1167. Localizada na ilha da Selândia, as margens do estreito de Oresund, charmosa e cosmopolita, se traduz em uma importante destinação turística do norte europeu. É a porta de entrada da Escandinávia.

Cidade com forte tradição marítima desde os tempos dos vikings; comunica-se com o Mar Báltico e o Mar do Norte através de seus canais. A cidade é um verdadeiro presente para os visitantes; percorrer suas ruas, andar de bicicleta pelas sagradas ciclovias, conhecer seus charmosos bairros, passear pelos seus canais, significa mergulhar em mais de 1000 anos de história e cultura do povo dinamarquês.

Copenhague é muito organizada, bem sinalizada, seus prédios antigos e governamentais são bem conservados, suas ruas e praças são bem cuidadas. Tem excelência em serviços públicos e seu povo é considerado como um dos mais felizes do mundo.

As guerras e incêndios a que a cidade foi submetida pela liga Hanseática, pela Suécia, pela Inglaterra e pela ocupação nazista de Hitler, destruíram a Copenhague medieval. Porém, a cidade conserva uma admirável riqueza de edifícios renascentistas, do tempo do rei Christian IV, o rei construtor.

O marco de Copenhague, símbolo de toda Dinamarca, está representado por um dos monumentos mais fotografados do mundo - A Pequena Sereia. Uma estátua de bronze de apenas 1,65m do escultor Edward Eriksen, inspirada no conto publicado em 1837, pelo poeta e escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875). Está localizada perto do cais do porto dos cruzeiros, na Langelinie sobre uma pedra, especialmente bela no inverno, quando o Mar Báltico congela e fica coberto por um manto branco, formando um cenário encantador.

A história da Sereiazinha que se apaixona loucamente por uma ser humano com conseqüências trágicas, é um dentre os 156 contos publicados por Hans Christian Andersen, considerado o maior escritor de literatura infantil do mundo. Entre suas obras, destacam-se os contos de fadas, como O Patinho Feio, As Roupas Novas do Imperador, A Caixinha de Surpresas, A Princesa e a Ervilha, O Soldadinho de Chumbo, Os Sapatinhos Vermelhos, A Pequena Sereia, João Bobo, O Rouxinol, A Menina dos Fósforos, João Grande e João Pequeno e A Arca Voadora.

Suas obras foram traduzidas para mais de 120 idiomas. Mas, ele não escreveu apenas contos de fadas, escreveu também peças de teatros, histórias, canções patrióticas e romances. O reconhecimento internacional aconteceu com a publicação do romance - O Improvisador, em 1835.

Além de escrever, outra grande paixão de H. C. Andersen eram as viagens. Seu lema era “viajar é viver”, que o acompanhou durante toda a sua vida. O mais importante escritor da literatura infantil nasceu em Odense, filho de sapateiro e mãe lavadeira, teve uma infância pobre agravando-se com a morte de seu pai, quando tinha apenas 11 anos, interrompendo seus estudos.

Aos 14 anos foi para Copenhague onde começou a fazer teatro. Tentou ser cantor, bailarino e ator, mas sua verdadeira vocação era a literatura e a arte de escrever. Ainda muito jovem começou a publicar seus primeiros trabalhos, entrou para a Universidade de Copenhague e depois veio o reconhecimento de seu trabalho, que o imortalizou.

Sua obra tem fortes contrastes, os sentimentos opostos – fortes e fracos, bonitos e feios, exploradores e explorados, enfim mostrava padrões de comportamento da sociedade. A melhor maneira de conhecer a vida e a obra de H.C. Andersen é visitar a sua cidade natal, Odense, que fica na ilha de Fiônia, distante 100 km de Copenhague. A cidade tem hoje sua atividade turística voltada culturalmente para a vida e a obra do famoso escritor.

A casa onde ele viveu é o coração da cidade, possui bons museus, teatros, e interessantes exposições sobre o escritor. Mas é no museu dedicado a H.C. Andersen, que se encontram as raras edições de contos fabulosos, notas, textos e cartas particulares.

A cidade é famosa e muito conhecida pelo seu charmoso e encantador bairro antigo, que conserva suas ruas de pedras, onde as casas são pequenas, baixas, coloridas e de telhados bastante inclinados. A sensação que se tem é de um verdadeiro conto de fadas.

O dia 02 de abril é o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil, data de nascimento do escritor, que deu nome ao mais importante prêmio internacional do gênero: Hans Christian Andersen Awards. Turismo e letras podem e devem andar juntos; a literatura e a arte são elementos de forte atração turística e estrategicamente devem constar no planejamento turístico. O que se observa, é uma perfeita combinação entre Educação e Turismo, favorecendo a atividade, gerando emprego, renda e acima de tudo conhecimento, cultura e lazer.

Visitar as cidades de Copenhague e Odense, locais onde viveu e nasceu Hans Christian Andersen, os cenários descritos em suas obras, os monumentos, os museus, as exposições, traduzem a verdadeira essência do turismo cultural: a pesquisa e o conhecimento.

Marcelo Oliveira

(*) Publicado no JC-ONLINE em 28.11.2007

Para saber mais sobre a Dinamarca, acesse o site: http://www.visitdenmark.com/

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

TURISMO EM DEBATE

“Importância da Contabilidade no Segmento Turístico da Hotelaria”


O turismo traduz-se num conjunto de manifestações sociais e humanas, portanto é um fenômeno bastante complexo, cuja satisfação depende das infra-estruturas e superestruturas e mais ainda, da qualidade humana e profissional dos agentes que prestam o serviço.

A verdadeira dimensão do turismo encontra-se no fato de ser um componente de desenvolvimento econômico, social e cultural de um país, gerando empregos e riquezas. Sua complexidade é função da combinação dos vários elementos que compõem o produto turístico.

Os componentes do produto turístico além do atrativo propriamente dito, são o transporte, o alojamento, a alimentação e o entretenimento. Eles são interdependentes e juntos, tem por objetivo maximizar a satisfação do turista.Portanto, alojamento ou acomodação é um dos segmentos bastante relevante para o turismo; podemos afirmar que é peça-chave dentro da atividade turística.

A “indústria da hospitalidade” exerce cada vez mais, importância na maioria dos países, pois emprestam instalações para diversos negócios, tais como reuniões, seminários, conferências, congressos, recreações e entretenimentos. Dessa forma, os hotéis têm um papel relevante para a economia e para a sociedade. A indústria hoteleira caracteriza-se pelo alto nível de competitividade. Necessita de um acompanhamento especial, pois além de prestar serviços, ela pode desenvolver produção de bens, comércio, refeitório, alojamento de funcionários e outros.

Na atividade hoteleira, como em qualquer outra, é fundamental que os gestores façam uso eficiente e eficaz de informações gerenciais, incluindo o sistema contábil-gerencial para a tomada de decisão. A contabilidade é um imperativo para controlar as atividades e os resultados, funciona como uma ferramenta estratégica na marcha dos negócios, principalmente pela sua visão abrangente e por disponibilizar informações precisas sobre os custos, receitas, despesas, lucros, prejuízos, etc.

A alma da empresa hoteleira sem dúvida é a contabilidade, pois através dela encontramos os registros de todos os atos e fatos. Sua transparência funciona como um raio-X permanente do negócio, permitindo ao empreendedor uma tomada de decisão rápida e objetiva.

O importante é que o empresário hoteleiro não considere a contabilidade como um fim em si mesma, mas sim como um precioso auxiliar para a gestão consciente e criteriosa dos seus empreendimentos.

Como negócio, a hotelaria apresenta características específicas, em função da natureza de suas atividades, que envolvem propriedade e gestão. O segmento hoteleiro requer níveis de investimento e de capital elevados, onde predominam ativos de longo prazo.

A Controladoria tem um papel importante no assessoramento à administração e a gestão hoteleira fornecendo dados importantes para a tomada de decisões. O controller é um profissional que deve dominar as técnicas hoteleiras, como também as técnicas contábeis, atuando nas áreas de planejamento, sistemas, operações, finanças e gestão contábil. Pode atuar também na auditoria, que é um complemento importante da Contabilidade aplicada à área de serviços.

O grande desafio do empresário do segmento hoteleiro é conhecer de forma geral seu negócio. A gestão hoteleira tem características multidisciplinares e requer uso indispensável da Contabilidade Aplicada. Sem as ferramentas básicas empresariais o negócio ficaria como diz José Carlos Marion: “Uma empresa sem boa contabilidade é como um barco, em alto-mar a deriva, ao sabor dos ventos”, sem rumo.

A empresa hoteleira necessita dessas ferramentas para a sua sobrevivência quando devida e adequadamente utilizadas, tais como: A Demonstração de Resultado do Exercício - DRE, do Balanço Patrimonial – BP e da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPAc., além do Fluxo de Caixa, Formação de Preços, Plano de Contas e de Indicadores-Padrões.

O turismo tem um forte papel estratégico na economia dos países, ocupando o setor terciário, o de serviços. Porém, os problemas gerais do turismo, associados às questões específicas do setor hoteleiro, como sazonalidade, baixa taxa média de ocupação, elevados custos, mão-de-obra especializada e baixa produtividade tem levado o setor a re-estruturar gerencialmente suas unidades, visando a saúde financeira de seus estabelecimentos.

Enfim, o ramo hoteleiro de serviços, é um campo fértil para estudos e pesquisas contábeis, principalmente da Contabilidade Aplicada, no caso chamada de Contabilidade Hoteleira.

A importância da Contabilidade no Segmento Turístico da Hotelaria não está somente condicionada a prática do exercício contábil, mas também aos profissionais pelo seu importante papel social enquanto agentes de mudança, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento da nação. Parabéns...
Marcelo Oliveira

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Turismo Cultural

CASAPUEBLO – A morada do sol (*)



Punta Del Este, no Uruguai, é um balneário de luxo, muito famoso, não só pelos seus atrativos naturais, mas principalmente pelo turismo levado a sério, na província de Maldonado, atraindo visitantes de todas as partes do mundo.

Infelizmente o mercosul como bloco econômico não conseguiu congregar os interesses que não fossem só comerciais, deixando um hiato no setor cultural, onde o turismo é vital para o entendimento dos povos. Independente do fator econômico o turismo envolve aspectos relevantes sociais e democráticos para o continente sul-americano.

Punta Del Este tem um símbolo maior chamado casapueblo, obra do fantástico Carlos Páez Vilaró, que além de escultor, pintor, ceramista, muralista, escritor revelou-se arquiteto talentoso, criativo e inovador.

A casapueblo, de cor branca, está debruçada sobre o mar; faz lembrar as construções mediterrâneas, e com suas linhas arredondadas faz lembrar as obras de Gaudí, em Barcelona, na Espanha.

A “escultura habitável” como diz o próprio artista é um misto de “arte e aventura que sempre estiveram juntas”. Foram mais de 36 anos dando forma, contorno e sustentação a um sonho. Primeiro uma casinha de lata, depois de madeira e finalmente de cimento. A oficina de trabalho e morada juntas, formam o atraente ateliê-museu, onde existem espaços para atividades culturais, do tipo: exposições, concertos, conferências, etc.

Carlos Páez Vilaró, nasceu em Montevidéu, no dia 01 de novembro de 1923 e deu vida a Punta Ballena, transformando a península em cartão-postal do Uruguai. Com suas mãos desafiou a arquitetura clássica, pediu desculpas a ela, moldou a paisagem e a geografia humana.

Suas obras estão espalhadas pelo mundo, principalmente no continente africano e na Polinésia francesa onde morou. Através de um excelente trabalho de marketing produziu inúmeras exposições itinerantes e difundiu a arte, conquistando a admiração e o respeito pelo seu trabalho.

O fascinante encanto do entardecer é reverenciado todos os dias, através da cerimônia do pôr-do-sol. O cenário emociona, é nostálgico e inesquecível. Todos vão a varanda da casapueblo e silenciosamente ouvem uma fita narrada pelo próprio artista. “É uma conversa com o sol, meu amigo mais antigo”. É um espetáculo à parte e têm atraído muitos visitantes.

A casapueblo é imperdível como atração turística, não só pela monumentalidade arquitetônica, mas pelo sentimento humano que a obra do Carlos Páez Vilaró produziu ao conjunto atelier-museu e hotel. Sim também hotel, com mais de 70 apartamentos e uma curiosidade. Os quartos receberam nomes de hóspedes famosos que primeiramente ali estiveram, tais como, Alain Delon, Omar Sharif, Brigitte Bardot, Robert de Niro, Pelé, Vinicius de Moraes e Toquinho, entre outros.

A morada do sol na verdade é aquela antiga casa, que inspirou Vinicius de Moraes, seu amigo particular, a dizer: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”. Depois foi transformada em canção. A famosíssima cerimônia do pôr-do-sol impressiona e convida todos a uma reflexão; é o encontro de si mesmo com a natureza.

A casapueblo é um exemplo a ser seguido da arte como forma de investimento em áreas turísticas.
Marcelo Oliveira

(*) Artigo publicado no JC-online no dia 17.10.07

Para conhecer um pouco mais a vida e a obra do multifacetado artista Carlos Páez Vilaró visite o site http://www.carlospaezvilaro.com/.

Visitas ao Atelier-Museu: De segunda a Domingo: 10.00 às 18.00 horas. Ingresso: US$ 5,00.




sábado, 29 de setembro de 2007

Roteiros Turísticos Internacionais - Destinos

A Andaluzia e sua Capital – SEVILHA


A Comunidade Autônoma da Andaluzia é formada por oito províncias que ocupam a parte meridional da Península Ibérica, constituindo a região sul da Espanha. Trata-se de uma região aberta a dois mares, sendo um elo de ligação entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, entre o continente europeu e africano.

A Andaluzia é uma região de incomparável beleza paisagística e diversidade cultural. Suas raízes culturais pré-históricas vêm desde o Estado de Tartessos, passando pelas civilizações dos iberos, dos fenícios, dos gregos, dos cartagineses, bética romana, visigótica, árabe muçulmana para finalmente ser conquistada pelos reis católicos.

Porém, a dominação islâmica que durou quase oito séculos, deixou marcas indestrutíveis à região. Uma inestimável riqueza artística, cultural e histórica frutificou nos séculos seguintes. Hoje testemunhada através dos seus belos edifícios e monumentos mudéjares, góticos, barrocos e renascentistas.

A região foi sempre ponto de encontro entre culturas e etnias, devido à presença dos conquistadores, colonizadores, comerciantes e viajantes que por ali passaram. O reconhecimento pela UNESCO da Mesquita de Córdova, da Alhambra de Granada e da Catedral, Alcázar e da Lonja de Sevilha (Archivo de Índias) com o título de patrimônio da humanidade se deve ao esplendor vivido durante o Califado de Córdova, o Reino de Granada e o Comércio com as Índias, em Sevilha.

Além do seu invejável patrimônio, a região tem belas praias, interessantes pueblos de casas brancas, touradas, tapas (os petiscos espanhóis), vinho Jerez, seu povo, suas festas e suas procissões religiosas.

A capital da Andaluzia é Sevilha, sede da Junta e do Parlamento, quarta maior cidade da Espanha, importante centro agrícola com importante porto, Sevilha é banhada pelo rio Guadalquivir, que significa Rio Grande, maior responsável pelo desenvolvimento econômico, devido ao comércio com a América. Foi exatamente do porto de Sevilha, que Cristóvão Colombo partiu para o Novo Mundo.

A cidade é conhecida como a mais autêntica de toda a Espanha. Terra do flamenco, das touradas, de Don Juan, dos Imperadores Romanos, Trajano e Adriano, do poeta Fernando Herrera, do escultor Juan Martinez Montañes, dos pintores Francisco Zurbarán, Bartolomé Murillo, Diego Velázquez, dos ilustres São Isidro e Santa Ángela de la Cruz e muitos outros.

Sevilha está no coração da Andaluzia. Concentra os maiores ícones da cultura espanhola, tais como as roupas sevilhanas, as touradas, os barzitos, as tabernas, as tapas e as cañas, as imagens de santos nas ruas, a simpatia de todos e o uso da palavra Olé, que se espalha num labirinto de becos e de vielas pintados de brancos, que reproduzem mais de dois mil anos de história de ciganos, mouros e cristãos.

É uma cidade, vibrante, ensolarada, cintilante e muito viva. Repleta de palmeiras com uma ampla e variada oferta de alojamentos, de transportes, de restaurantes, bares e de atrações.

Sevilha caracteriza-se por um monumental patrimônio artístico, de inconfundível beleza e importância histórica. A gastronomia sevilhana é rica e variada, reflexo de toda sua história. Desfrutar da sua oferta cultural, da suas festas e tradições é uma experiência inesquecível.

A Giralda é o símbolo máximo representativo de Sevilha, por sua história, beleza e fusão harmônica de estilos. Foi o antigo minarete do templo muçulmano. Tem 93 m de altura e é a melhor vista da cidade tendo sido um dia a torre mais alta do mundo. Já a Catedral é uma obra gótica de grandes dimensões, sendo considerada a terceira maior do mundo.

O Palácio Real de Alcázar é o mais antigo palácio real habitado da Europa. Seus jardins impressionam e mostram as influências de diferentes estilos lhe conferindo um grande valor histórico.

A Plaza de España de estilo regionalista é a própria Espanha, com seus 48 bancos representando as províncias espanholas, decorados com azulejos, que mostram os acontecimentos históricos, o brasão e o mapa da província. Há um riacho com quatro pontes que representam os quatro reinos que formavam a coroa espanhola.

A Torre del Oro foi originalmente umas das torres que integrava a muralha de Sevilha. Está localizada às margens do rio Guadalquivir e hoje é sede do Museu Naval.

O Real Maestranza de Caballeria é a praça de touros mais antiga da Espanha, onde ocorrem os festejos taurinos mais importantes da Espanha e do mundo.

O Archivo General de Índias, antigo armazém de comerciantes, guarda toda documentação do descobrimento da América.

Fazer um cruzeiro pelo rio Guadalquivir, conhecer suas magníficas e diferentes pontes, de diferentes estilos e época é um maravilhoso passeio fluvial. O rio é o verdadeiro testemunho de como Sevilha nasceu, cresceu e firmou-se no cenário mundial.

Vale a pena fazer um passeio de charrete, partindo de suas praças e descobrir os encantos desta linda cidade, através de seus bairros típicos: Santa Cruz - o antigo bairro Judeu e o Arenal. Passear a noite na cidade é pura contemplação. Sua iluminação é de muito bom gosto, um espetáculo à parte, e um convite a La Movida, afinal Sevilha é também a capital das tapas.

Sevilha é uma cidade fortemente turística, principalmente depois da Exposição Ibero-Americana de 1929 e da Exposição Universal de 1992. Esses eventos proporcionaram a recuperação de muitos de seus monumentos que foram atingidos durante a invasão francesa e revoluções, como também, a construção de novos edifícios, parques, praças, vias de acesso, de comunicação e de transporte.

O turismo é a principal fonte de receita da região. Em 2006, Sevilha recebeu mais de 2.700.000 visitantes. A atividade turística em Sevilha é coordenada e monitorada pelo Consórcio de Turismo de Sevilha. Os serviços turísticos são avaliados periodicamente através de um programa de qualidade e recebem um selo de Compromisso de Qualidade Turística.

Enfim, visitar Sevilha é abrir o leque, pegar as castanholas, tomar uma sangria, comer umas tapas, bater palmas e gritar Olé... E como já dizia o poeta e diplomata pernambucano João Cabral de Melo Neto, quando cônsul na Espanha, na década de 50: “Há que sevilhizar a vida e há que sevilhizar o mundo”.

Marcelo Oliveira

Para saber mais sobre a Andaluzia e Sevilha acesse os sites: